23.11.09

P.,

I was a good kid I wouldn't do you no harm
I was a nice kid with a nice paper arm
Forgive me any pain I may have brung to you
With God's help I know I'll always be near to you

But Jesus hurt me when he deserted me
But I have forgiven Jesus for all the desire
He's placed in me when there's nothing
I can do with this desire

I was a nice kid through hail and snow
I'd go just to moon you
I carried my heart in my hands
Do you understand?
Do you understand?

But Jesus hurt me when he deserted me
I have forgiven Jesus for all of the love
He placed in me when there's no one
I can turn to with this love

Monday, humiliation
Tuesday, suffocation
Wednesday, condescension
Thursday, it's pathetic
by Friday, this life has killed me

oh pretty world,
why did he give me so much desire
when there's nowhere I can go
to offer all this desire
why did you give me
so much lovein a loveless world
when there's no one I can turn to
to unlock all of this love
why did you stick me in
self-deprecating bones and skin
Oh Jesus, do you hate me?
do you hate me? do you hate me?

2.11.09

zelda


escuto daqui pro futuro - pato fu, sem dúvida.

leio muita coisa e sinfonia em branco - adriana lisboa, bom.

conheci o liceu do ceará - jacarecanga, me perdi, subi na primeira topic, desci, andei, dragão, fotos, turistas, coca zero, museu, dark room, mud room, meu amigo: eles gastam muito dinheiro! é mesmo, concordei. a grama lá fora estava seca, deitamos. meu amigo: é tão bom.

ganhei presente, uma contracapa meio molhada - talvez água do mar - de um livro do drummond. destacada do livro, lembra um cartão. a foto do drummond, um poema breguinha, mais dedicatória atrás. ainda não curto drummond. gostei da contracapa.

volta pra casa. um homem toma banho com spray desodorante numa mesa de bar. todos riem. meu amigo: é toque, é doença. o homem dá o frasco a um tatuado - muita tatuagem no mundo - que aceita e usa nas axilas. todos riem. eu e meu amigo passamos a falar de zelda, a mulher do scott, cultura pop, intertextos, grupos de extermínio... o futuro.

26.10.09

muito filme

dizer isso jamais aconteceria é inviável na minha aldeia. dei de cara com r., que mesmo não sendo alguém em especial, sob qualquer perspectiva e circunstância, me surpreendeu; justo na casa da i., que amo de paixão, sob toda perspectiva e circunstância.
lots of brownie, social, e deslocamento - graças a deus, nao meu.

20.10.09

é isso aí

Não faz muito tempo, o mundo – e o Brasil, em particular –, se escandalizou com as manifestações racistas contra jogadores de futebol que foram hostilizados por torcedores nos estádios europeus apenas porque eram negros. Na Itália e na Espanha, diversos jogadores negros, inclusive brasileiros, foram chamados de “macacos”, “gorilas” e “pretos de merda” por torcidas organizadas dos maiores times daqueles países. As reações foram, felizmente, imediatas. Intelectuais, jornalistas, políticos e autoridades esportivas de todo o planeta botaram a boca no trombone e reduziram, como era de se esperar, gente assim ao nível de delinqüentes comuns.

Ainda há, eventualmente, exaltações racistas nos gramados, mas há um consenso razoavelmente arraigado sobre esse tipo de atitude, tornada, universalmente, inaceitável. Você não irá ver, por exemplo, no Maracanã, torcidas inteiras – homens, mulheres e crianças – gritando “crioulo safado” para o artilheiro Adriano, do Flamengo, por conta de alguma mancada do Imperador. Com a PM circulando, nem racistas emperdenidos se arriscam a tanto. Mas, ai de Adriano, se ele fosse gay.

No sábado passado, espremido no Maracanã ao lado de meu filho mais velho e outras 57 mil pessoas, fui ver um jogaço, Flamengo 2 x 1 São Paulo, de virada, um espetáculo de futebol. Quando o time do São Paulo entrou em campo, as torcidas organizadas do Flamengo, além de milhares de outros torcedores avulsos, entoaram, a todo pulmão: “Veados, veados, veados!”. Daí, o painel eletrônico passou a anunciar, com a ajuda do sistema de autofalantes, a escalação são-paulina, recebida com as tradicionais vaias da torcida da casa, até aí, nada demais. Mas o Maraca veio abaixo quando o nome do volante Richarlyson foi anunciado: “Bicha, bicha, bicha!”. E, em seguida: “Bicharlyson, Bicharlyson!”.

Ao longo da partida, bastava que o são-paulino tocasse na bola para receber uma saraivada de insultos semelhantes. No ápice da histeria homofóbica, a Raça Rubro Negra, maior e mais importante torcida do Rio, e uma das maiores do Brasil, convocou o estádio a entoar uma quadrinha supostamente engraçada. Era assim: “O time do São Paulo/só tem veado/o Dagoberto/come o Richarlyson”. Richarlyson virou alvo da homofobia esportiva brasileira, com indisfarçável conivência de cronistas esportivos, jornalistas e colegas de vestiário, a partir de 2005, quando fez uma espécie de “dança da bundinha” ao comemorar um gol do São Paulo, time que por ser oriundo do elitista bairro do Morumbi acabou estigmatizado como reduto homossexual, ou time dos “bambis”, como resumem as torcidas adversárias.

A imprensa chegou a anunciar o dia em que Richarlyson iria assumir sua homossexualidade, provavelmente numa entrada ao vivo, no programa Fantástico, da TV Globo – o que, diga-se de passagem, nunca aconteceu. Desde então, no entanto, o volante nunca mais teve paz. No Maracanã lotado, qualquer lance que o envolvesse era, imediatamente, louvado por um coro uníssono e ensurdecedor de “veado, veado, veado!”. Homens, mulheres e crianças. O atacante Dagoberto entrou de gaiato nessa história apenas porque, com Richarlyson, forma uma eficiente dupla de ataque no São Paulo. Agora, imaginem se, no Morumbi, a torcida do São Paulo saudasse o atacante Adriano, do Flamengo, aos berros de “macaco, macaco, macaco!”, apenas para ficarmos nas analogias retiradas do mundo animal. Ou, simplesmente, entoasse uma quadrinha do tipo criada para a dupla Dagoberto/Richarlyson, dizendo que no Flamengo só tem crioulo, que Adriano enraba, sei lá, o Petkovic. O mundo iria cair, e com razão, porque chegamos a um estágio civilizatório onde o racismo tornou-se motivo de repulsa, mesmo em suas nuances tão brasileiras, escondidas em piadas de salão e ódios de cor mal disfarçados no elevador social.

Usa-se, no caso dos gays, o mesmo mecanismo perverso que perdurou na sociedade brasileira escravagista e pós-escravagista com o qual foi possível transformar em insulto uma condição humana que deveria, no fim das contas, ser tão somente aceita e respeitada. Assim, torcedores brasileiros chamam de veados os são-paulinos em campo como, não faz muito tempo, nos chamavam, os argentinos, de “macaquitos”, em pleno Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, para revolta da nação. Quando – e se – a lei que criminaliza a homofobia no Brasil, a exemplo do racismo, for aprovada no Congresso Nacional, será preciso educar gerações inteiras de brasileiros a respeitar a sexualidade alheia.

Espero, a tempo de recebermos os atletas que virão às Olimpíadas de 2016, no Rio, provavelmente, no mesmo Maracanã que hoje se compraz em xingar Richarlyson de veado. Por enquanto, a discussão sobre a lei está parada, no Brasil, porque o lobby das bancadas religiosas teme abrir mão de um filão explorado por fanáticos imbuídos da missão de “curar” homossexuais, ou de outros, para quem os gays são uma aberração bíblica passível, portanto, da ira de deus. Nos jornais de domingo, nem uma mísera linha sobre o assunto. Das duas uma: ou é fato banal e corriqueiro, logo, tornado invisível aos olhos das dezenas de repórteres enfiados na tribuna da imprensa do Maracanã; ou é conivência mesmo.

Leandro Fortes
Brasília, eu vi
Carta Capital

15.10.09

dear sir,

a trufa 70% de cacau da cacau show é doce!
a vendedora disse que era no limite do amargo
daí o doce me chocou
alfajor é uma delícia e não tem no dicionário
encontrei ds, gordo.
ds dá um conto bem longo
gosta de amargura, meninas quadradas, e doces
como trufas e alfajor.
encontrei spts, acanhado feito gato maltratado.
pegou na minha mão e disse
vim só pegar na tua mão e eu disse
ah tá.
ele deu meia volta e se foi, como bom freak
que é.

eu, so rappy.

13.10.09

e. m. forster

"... viver com equilíbrio. Não comece pelo equilíbrio. Só gente de nariz empinado faz isso. Deixe que o equilíbrio venha como último recurso, quando as melhores coisas falharam, e um beco sem saída..."

"... o senso de proporção... viver de acordo com ele. Não começar com proporção. Só os puritanos, moralistas, é que fazem isso. A proporção deve ser usada como último recurso, quando as melhores coisas fracassaram, e um impasse..."


"--to live by proportion. Don't BEGIN with proportion. Only prigs do that. Let proportion come in as a last resource, when the better things have failed, and a deadlock--"

Howards End


a primeira tradução deste trecho vem dentro de um livro belíssimo, capa com textura em alto-relevo, verde escuro, ilustrando grades e colunas de uma mansão, howards end. a segunda tradução é colhida de uma edição de bolso, básica, ediouro. quanto mais leio forster, mais quero ficar perto dele.
o romance abre com a frase "only connect...", que no livro bonito traduz-se "Ligue, simplesmente...". a edição de bolso: "Junte apenas..."


adoro luta de classes.

não paro de ler esses livros e comer maria-maluca...

11.10.09

pensava que ter coração fraco, "subdesenvolvido", "maudlin", fosse defeito desses de se trancafiar e desconversar. soube agora que não é para beauvoir e forster (tou lendo howards end).
so rappy!

7.10.09
















Beverley Knight pra aliviar a pressão.
dei pra me projetar em letras de música.
agora agora: breakout é muito clara e certa:
standing in the shadow, you've been there all night
no one's gonna find you when you're out of sight...
eu sei.


29.9.09

nneka


hoje, nada além de ouvir nneka.

14.9.09

queria ganhar milhões de dinheiro, ficar super rico. do dia pra noite ter ao meu alcance tudo o que dinheiro compre: um ap pequeno, na praia. um carro. e viajar viajar meses, anos, até abusar. fazer curso de escritor no mesmo lugar que a yiyun li fez. fazer teatro. perambular pelo norte da áfrica, mediterrâneo, alexandria. escrever livros! de viagem. queria tudo isso pra, além de me dar bem, me experimentar. ver como me saio com a boca lambendo o anzol. testar minha cuca.

muita gente pira com dinheiro instantâneo... meu lado black: além de timbalada e olodum, fui vidrado no fugees, e depois na lauryn hill solo. adorava. lembro de rebobinar mudança de hábito 2 doentiamente pra ver a capela dela voz e piano. o tempo não pára, a mulher desapareceu do mapa da música. pesquisas no google indicam que ela pirou. entrou numa de ter filhos com o filho do bob marley. ela não vive com ele, que continua muito bem com a esposa oficial. lauryn mora com os filhos num hotel e segue rigidamente o que diz um pastor evangélico, estilo jim jones. mas, ela talvez esteja em paz, apesar de totalmente mad.

lembrei de lauryn porque estou ouvindo speech debelle, uma rapper inglesa. ouvi que ela fazia um som hip hop anti-hip hop, meio lounge. nem sei a diferença entre rap e hip hop. o fato é que o som dela é bom, tão diferente que parece pessoal, dela. pelo menos pra mim que não conheço. tem letra boa. o disco se chama speech therapy, que fala por si: exorcismos, carne viva, transformados em verso autêntico. pergunta recorrente que me fazem: qual teu tipo de música predileto? passei a dizer: música feita por gente boa, ponto. mas sempre descamba pra um complicado estudo de casos, pois acrescentam: tipo quem? tipo caetano, adriana, the jesus & mary chain, marnie stern, pato fu, cat power, nneka, roisin murphy, paralamas, feist, morrissey, amy (ela é uma merda; back to black é incrível). até kylie minogue é competente.

speech debelle queria ser uma espécie de tracy chapman mc. e realmente é bem isso. speech, que você não pire!

12.9.09

Me admirei com a coragem de uma recém-conhecida contar um de seus sonhos recorrentes durante viagem. Ela toda me excitou. Sequer lembro do nome dela agora. Ela estava com Flush nas mãos e mostrou entusiasmo com a Mrs. Brown de As Horas, filme. Eu eu eu, mais uma vez, precisei ter algo extraordinário escapulindo entre os dedos: recusei almoçar com ela e o marido. Muito mais para me mostrar comedido. Mil e um cálculos num segundo.

Por falar em sonhos, tive noite com bichos peçonhentos gigantes e gosmentos. Depois presenciei uma missa com meninos e meninas vestindo hábitos marrons, cantando e rezando exaustivamente por horas. Me entusiasmava ver aquela determinação. Em seguida, todos passaram a dançar e andar de patins num pátio enorme.

Ontem ouvi frase calmante de Herman Hesse no programa repórter eco. Não lembro exatamente, mas aponta para o olhar para dentro de si como caminho a se explorar ao invés de chafurdar o lado de fora de si. Vai aqui uma outra, copiada e colada, que talvez nem seja dele, mas simples e reparadora para quem tem péssima memória, como eu: "Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." (Demian)

Já esqueci do que li em Demian.

1.9.09

caçar em vão

Ás vezes escreve-se a cavalo.
Arrebentando com toda a carga.
Saltando obstáculos ou não.
Atropelando tudo, passando por cima sem puxar o freio - a galope - no susto, disparado
sobre as pedras, fora da margem feito só de patas, sem cabeça
Nem tempo de ler no pensamento o que corre ou o que empaca:
Sem ter calma e o cálculo de quem colhe e cata feijão.

Armando Freitas Filho

13.8.09

tanta literatura vejo que brotou a partir de algo a ver com dentes: white teeth, zadie smith; the tooth, shirley jackson; dentes guardados, daniel galera, que pôs hilda hilst na epígrafe: Dentes guardados. Não acabam nunca se guardados. Na boca apodrecem.

em white teeth de zadie, a questão do dente tem a ver com a descoberta do mundo. a sensação de ter sido alvo de trapaça, quando descobrimos omissões, segredos, o esconde-esconde da vida adulta, como dentaduras postiças. the tooth, a questão é bem foda: dor física que sobrepõe dores de alma, e para alívio de ambas há o experimento de, a partir de barbitúricos, recriar outra ordem, confusa, difícil, mas necessária para encarar a ordem anterior no olho, motivo de incômodo insuportável, e resolver a questão.

meus cisos superiores tem mais três semanas comigo.

10.8.09

listening to i'm every woman, chaka khan.
lendo relendo word by word um conto de jamaica kincaid, sonho, projeção, fato: there's no way back home. depois conto.
a poeira dos livros limpo com uma regata velha que nunca foi minha. depois lavo bem a velha camiseta e não sei, me apego a ela. pondero como nunca.

8.8.09

CORDEL DE FOGO na praça do ferreira. Sabe quando acontece da gente jogar basquete e não errar uma cesta, quando você digita uma linha sem intenção e vem um texto completo... Lirinha cantou que ia chover, e assim aconteceu de céu fechar e respingar em pleno agosto enquanto ele fazia cara de eu sou o cara. O povo no limite da catarse com cara de besta. Uma moça apontou pra cima e quis saber de mim o que era aquilo. Eu gritei, ela gritou também, e todo mundo perto só gritava e o que na verdade nos banhava era uma luz azul intensa.

6.8.09

me sinto beckett. gente não dá, até gente querida não tá dando. e finjo aqui e ali que ainda dá, afinal não sou beckett.

4.8.09

quero saber mais do caravaggio. só vi o filme do jarman, e filmes do jarman são tão dele quanto as pinturas do caravaggio são pinturas do caravaggio.
ontem vi o numero 7, gosto dele, pintado na porta do quarto, altura dos olhos, vermelho. vermelho fiquei, acho que me viram olhando o numero. é que gostei do formato, da cor, da simpatia do chagas, do piso antigo estilizado também vermelho, formas concentricas escuras tipo paus do baralho.
se pelo menos eu reagisse menos espectador e mais objeto de arte, sensorial, se pelo menos eu não precisasse ter escrito nem pensando nisso, dormiria melhor.

28.7.09

lanhouse é foda, sempre alguém de olho na tela alheia. Na minha (pronto, o curioso acaba de me deixar em paz). Apenas uma mesa no almoço da rita parecia receptiva e lá eu fui. Oi, você se importa, perguntei. À vontade, ele disse. Passou à perguntinhas clichê introdutórias. E eu, sim, trabalho aqui perto, exatamente, sim conheço ele de vista, não, trabalho aqui 3 dias e volto pra casa.
Cara bonito, apesar do verde vidro das lentes de contato. Outfit brega. Um Márcio. Pediu bisteca de porco. Pedi suco de acerola. Invasão H1N1 truando, não falam de outra coisa. Máscaras por todo canto. Todos histéricos, mais histéricos do que eu. Aquela sensação de estar numa adaptação de Guerra dos mundos e Plano 9 invasão da terra em Nova Jerusalém.
Mas voltando ao cara das lentes, não ando pra bistecas, sei lá, tou só pra prosa. Por isso me despedi dele, Márcio, numa esquina após caminhada por ruas de poeira, meio-dia pleno. Precisava de sabonete. Entrei num boteco, desses de balcão, mercadorias em prateleiras pelas paredes, senhor fumando por trás do balcão imerso na dele. Fumei também depois de dias sem.
Primeiro beijo, nome da fragância do sabonete, que cheira maçã verde. Bisteca de porco e maçã verde, não.

23.7.09

esboço de novela

1997. Aula de literatura brasileira. Mesma cadeira no fundão, mesma mistura de cheiros, gentes, mesma cadência de vozes, dejavu profundo. Até a mancha de sangue permanece no centro da sala de cerâmica antiga, porosa. Sobre o braço da carteira, os rabiscos primatas dos mesmíssimos idiotas que me atazanaram por quase todo o ano passado: Ana Palerma, Ana Sapatão, Ana Baitola, Ana P. Uma horda de maníacos-mirins que me escolheram pra Judas, Geni. Trocaram, porém, de professor. Lui não estava lá.