I am a lazy boy I am. Even in my private journal there's been a gap, a long silence. My job now is just studying and as usual I'm overreacting. Though in my age I know perfectly the thing about balance and so.
So many plans... my short-stories are stuck but I'm gradually returning and want, hysterically want to publish this year. Talking about shit, yesterday I was in a kind of very informal speech of a non-published writer, whose influences are Amyr Klink, Paulo Coelho, and Guns 'n Roses. She showed her stuff, notebooks, diaries, books, and talked about her process in such a low-prof way that I almost cried. Zero vanity and lots of guts to show her ass that way. Well, her name is Fernanda and she writes here.
One more time I think of balancing. I'm not showing my hairy ass the way she did, but I need at least to shave it and show it and see what happens.
Today I told my whole adult life story to a brand new friend in just 10 minutes. Then I realized that I really need to do something about it, I mean, think more carefully about biography stuff. Of course, not in a showing-off, artificial sense, but in one having in mind the time factor, joy (with people) in the meantime, and death. And according to Marx, this is a contradiction since men do their own history, but don't know they do.
12.5.10
14.4.10
On Beauties
I'm so having a good time researching and writing papers for the mastering course. It's much easier when you're required. I now understand those courses common in the u.s. made for writer aspirants and that cause discomfort to some aspirants here because of the humbling aspect of showing the need for help.
The more I read Zadie Smith's On Beauty the more I get curious about the author as a person (like me). My readings on the idea of the author's death, the different persona created by the author (person) to manipulate artfully its material, doesn't get me. For me, it's just a complex person like everybody else facing the world with their crafty perception, intelligence and, why not, imagination. I'm really into Smith, and there are some personal reasons for that.
Yesterday I had a good coffee and chocolate time with a girlmate from the mastering. Talks, flirting puzzles, and so on. I'd better definitely tell her I'm just a weirdo curious gay guy that fancies having affair with women to understand better what's it like, and possibly write about it, or that I'm one of those movielike embodiments of fables like that Andersen's Ugly Duckling. Of course, I don't mean it by the fable message itself but because of the troubles that come with being among totally diferent types. I don't even know what I want to say anymore. Stop it me!
I'm listening to Legião Urbana records. It's good soundtrack for sunny beautiful afternoons like today.
The more I read Zadie Smith's On Beauty the more I get curious about the author as a person (like me). My readings on the idea of the author's death, the different persona created by the author (person) to manipulate artfully its material, doesn't get me. For me, it's just a complex person like everybody else facing the world with their crafty perception, intelligence and, why not, imagination. I'm really into Smith, and there are some personal reasons for that.
Yesterday I had a good coffee and chocolate time with a girlmate from the mastering. Talks, flirting puzzles, and so on. I'd better definitely tell her I'm just a weirdo curious gay guy that fancies having affair with women to understand better what's it like, and possibly write about it, or that I'm one of those movielike embodiments of fables like that Andersen's Ugly Duckling. Of course, I don't mean it by the fable message itself but because of the troubles that come with being among totally diferent types. I don't even know what I want to say anymore. Stop it me!
I'm listening to Legião Urbana records. It's good soundtrack for sunny beautiful afternoons like today.
7.3.10
Dickinson
Fui até a janela fumar e decidir: sair ou não sair? Calor, sábado, cabelo cortado, nenhum plano, meia noite, 1 2 3... e abro um caderno, vejo um poema de E. Dickinson que transcrevi e que gosto muito.
(Emily quase nunca saía de casa.)
No poema ela questiona sobre a real existência da manhã, como se ela (a voz) estivesse trancafiada dentro da noite. Assim como Actor, disco de St. Vincent, esse poema, Will there really be a morning? tem uma coisa filme Disney. Lindo exuberante e assustador.
Eu traduzi! Tive de deslocar efeitos, e forçar a barra como "tão alto quanto" no original por "mesma simetria", mas está ficando do meu agrado. Talvez eu o leia em homenagem às mulheres próxima sexta numa ong numa rua chamada Alerta.
Outra coisa. Durante a tradução fiquei sabendo que o dente do siso em inglês se chama wisdom tooth, ou seja, os ingleses pegaram do latim.
(Emily quase nunca saía de casa.)
No poema ela questiona sobre a real existência da manhã, como se ela (a voz) estivesse trancafiada dentro da noite. Assim como Actor, disco de St. Vincent, esse poema, Will there really be a morning? tem uma coisa filme Disney. Lindo exuberante e assustador.
Eu traduzi! Tive de deslocar efeitos, e forçar a barra como "tão alto quanto" no original por "mesma simetria", mas está ficando do meu agrado. Talvez eu o leia em homenagem às mulheres próxima sexta numa ong numa rua chamada Alerta.
Outra coisa. Durante a tradução fiquei sabendo que o dente do siso em inglês se chama wisdom tooth, ou seja, os ingleses pegaram do latim.
28.1.10
estou em clima de adeus a quixadá. um lugar até perto, 168 km, mas muito outro. não explorei o que gostaria de fato. esperava ficar mais tempo trabalhando por aqui e conhecer mais lugares. mas nessa vida, realmente tudo pode mudar num virar de página. os arredores supreende, é bonito, perfeito para ciclismo, sendo possível parar num lugar ermo e se deixar ficar, sozinho. dificilmente aparece alguém importunando.
acredito não ter mencionado um filme dinamarquês que gostei muito, a festa de babete. a história original é da karen blixen. o filme é alegoria da escritora para o espírito artístico. e agora mato um tempinho antes de ir ao baile da rosinha, em quixadá. rosângela e o marido, talvez por falta de ambição de ser, são dessas pessoas que inspiram a gente.
passei em casa só pra pegar roupa e vir prestigiar. chegadas e partidas rápidas nas últimas 24 horas. canseira. o pôr do sol vermelho pela janela do ônibus e na mochila meu chapéu de pierrô.
acredito não ter mencionado um filme dinamarquês que gostei muito, a festa de babete. a história original é da karen blixen. o filme é alegoria da escritora para o espírito artístico. e agora mato um tempinho antes de ir ao baile da rosinha, em quixadá. rosângela e o marido, talvez por falta de ambição de ser, são dessas pessoas que inspiram a gente.
passei em casa só pra pegar roupa e vir prestigiar. chegadas e partidas rápidas nas últimas 24 horas. canseira. o pôr do sol vermelho pela janela do ônibus e na mochila meu chapéu de pierrô.
23.1.10
novela das oito, personagem da maria luiza mendonça: "minhas amigas estão sempre com problemas com marido, namorado, sou a única cujo único compromisso é comigo mesma... passo muito tempo sozinha..."
noto que ela fala como eu depois de umas cervejas, arrítmica.
o personagem da malu mendonça divaga sobre cama > teatro enquanto o acompanhante dela, jovem e classy, fala da decoração do ap inspirada em paris. ele enche taças de vinho branco/rosa ao som de carla bruni. manoel carlos caminha para um gênero dentro de um gênero?
coincidência: tou indo ver "up in the air" ou "amor sem escalas".
noto que ela fala como eu depois de umas cervejas, arrítmica.
o personagem da malu mendonça divaga sobre cama > teatro enquanto o acompanhante dela, jovem e classy, fala da decoração do ap inspirada em paris. ele enche taças de vinho branco/rosa ao som de carla bruni. manoel carlos caminha para um gênero dentro de um gênero?
coincidência: tou indo ver "up in the air" ou "amor sem escalas".
11.1.10
ida ao trabalho, houve acidente na estrada. mulher no asfalto, alguem tentava ajudar de alguma forma segurando o braço dela. estava de capacete e consciente.
comprei bis numa farmacia assim que cheguei. a maioria das lojas e mercearias de quixa nao possui ar-refrigerado. esqueci desse detalhe e depois do gosto estranho do bis (+ experiencia anterior em madrugada-horror no cine sao luiz) fiquei esperando a dor, mas ficou no mal-estar.
noite fria no sertão.
mal-estar.
______________________________________________________
comprei bis numa farmacia assim que cheguei. a maioria das lojas e mercearias de quixa nao possui ar-refrigerado. esqueci desse detalhe e depois do gosto estranho do bis (+ experiencia anterior em madrugada-horror no cine sao luiz) fiquei esperando a dor, mas ficou no mal-estar.
noite fria no sertão.
mal-estar.
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9.1.10
em apenas uma semana voltei a subir numa bicicleta e jogar basquete depois de tempos. a bike emprestada de amiga de amigo em quixa. trilhas, cenário bonito, jurassic park, casinhas de barro, algumas bem bonitas com jardim. casal de estudantes amigos de amigo fizeram taichichuam de frente pro açude enquanto eu fiquei de olho no sol encostando no paredão de pedra da galinha choca.
o casal do taichichuan tinha suco de maracujá no cesto da bike e ofereceu. chatos.
na volta, papo sobre boa forma. constrangimento no ar sobre a real razão de emagrecer. o óbvio: ficar minimamente "bedable"! mas ninguém assume. falta intimidade ainda.
o casal do taichichuan tinha suco de maracujá no cesto da bike e ofereceu. chatos.
na volta, papo sobre boa forma. constrangimento no ar sobre a real razão de emagrecer. o óbvio: ficar minimamente "bedable"! mas ninguém assume. falta intimidade ainda.
5.1.10
24.11.09
fui na padaria tomar café, meio da tarde. odiei o bolo xadrez, gosto de plástico, daí só mordi e deixei. fiquei com maria-maluca, para variar, e coca-cola.
tomei caminho diferente pra ir atrás de alugar perto do detran. parei junto de um senhor de rosto bem murcho, cara de dom quixote, bigode, numa monark vermelha. perguntei onde era o detran. ele me estendeu a mão e disse, pode pegar, tá limpa. apertei a mão dele, ilesa de calos, macia até. o homem bêbado deixou a monark cair no meio fio, me pegou no ombro e passou a apontar pro horizonte desenhando no ar o rumo que eu deveria seguir. o detran era logo ali e ele parecia insatisfeito em dar um informação tão curta e simples.
me despedi dele e agradeci.
quando me distanciei ele disse SEJA FELIZ, FIQUE COM DEUS.
tomei caminho diferente pra ir atrás de alugar perto do detran. parei junto de um senhor de rosto bem murcho, cara de dom quixote, bigode, numa monark vermelha. perguntei onde era o detran. ele me estendeu a mão e disse, pode pegar, tá limpa. apertei a mão dele, ilesa de calos, macia até. o homem bêbado deixou a monark cair no meio fio, me pegou no ombro e passou a apontar pro horizonte desenhando no ar o rumo que eu deveria seguir. o detran era logo ali e ele parecia insatisfeito em dar um informação tão curta e simples.
me despedi dele e agradeci.
quando me distanciei ele disse SEJA FELIZ, FIQUE COM DEUS.
23.11.09
acho que cochilei no onibus ontem. e ronquei. acordei com umas meninas rindo muito e fazendo uns roncos nasais bem parecido com porco. talvez tenha sido o ronco de outra pessoa que animou elas, mas enfim. enfim.
vou usar o drama da lisa doolittle de my fair lady na aula de fonologia hoje.
tudo excepcionalmente ok, exceto por P.
há risco de não vê-lo mais. seria muito before sunrise. que é lindo, só que no cinema.
vou usar o drama da lisa doolittle de my fair lady na aula de fonologia hoje.
tudo excepcionalmente ok, exceto por P.
há risco de não vê-lo mais. seria muito before sunrise. que é lindo, só que no cinema.
P.,
I was a good kid I wouldn't do you no harm
I was a nice kid with a nice paper arm
Forgive me any pain I may have brung to you
With God's help I know I'll always be near to you
But Jesus hurt me when he deserted me
But I have forgiven Jesus for all the desire
He's placed in me when there's nothing
I can do with this desire
I was a nice kid through hail and snow
I'd go just to moon you
I carried my heart in my hands
Do you understand?
Do you understand?
But Jesus hurt me when he deserted me
I have forgiven Jesus for all of the love
He placed in me when there's no one
I can turn to with this love
Monday, humiliation
Tuesday, suffocation
Wednesday, condescension
Thursday, it's pathetic
by Friday, this life has killed me
oh pretty world,
why did he give me so much desire
when there's nowhere I can go
to offer all this desire
why did you give me
so much lovein a loveless world
when there's no one I can turn to
to unlock all of this love
why did you stick me in
self-deprecating bones and skin
Oh Jesus, do you hate me?
do you hate me? do you hate me?
I was a nice kid with a nice paper arm
Forgive me any pain I may have brung to you
With God's help I know I'll always be near to you
But Jesus hurt me when he deserted me
But I have forgiven Jesus for all the desire
He's placed in me when there's nothing
I can do with this desire
I was a nice kid through hail and snow
I'd go just to moon you
I carried my heart in my hands
Do you understand?
Do you understand?
But Jesus hurt me when he deserted me
I have forgiven Jesus for all of the love
He placed in me when there's no one
I can turn to with this love
Monday, humiliation
Tuesday, suffocation
Wednesday, condescension
Thursday, it's pathetic
by Friday, this life has killed me
oh pretty world,
why did he give me so much desire
when there's nowhere I can go
to offer all this desire
why did you give me
so much lovein a loveless world
when there's no one I can turn to
to unlock all of this love
why did you stick me in
self-deprecating bones and skin
Oh Jesus, do you hate me?
do you hate me? do you hate me?
2.11.09
zelda

escuto daqui pro futuro - pato fu, sem dúvida.
leio muita coisa e sinfonia em branco - adriana lisboa, bom.
conheci o liceu do ceará - jacarecanga, me perdi, subi na primeira topic, desci, andei, dragão, fotos, turistas, coca zero, museu, dark room, mud room, meu amigo: eles gastam muito dinheiro! é mesmo, concordei. a grama lá fora estava seca, deitamos. meu amigo: é tão bom.
ganhei presente, uma contracapa meio molhada - talvez água do mar - de um livro do drummond. destacada do livro, lembra um cartão. a foto do drummond, um poema breguinha, mais dedicatória atrás. ainda não curto drummond. gostei da contracapa.
volta pra casa. um homem toma banho com spray desodorante numa mesa de bar. todos riem. meu amigo: é toque, é doença. o homem dá o frasco a um tatuado - muita tatuagem no mundo - que aceita e usa nas axilas. todos riem. eu e meu amigo passamos a falar de zelda, a mulher do scott, cultura pop, intertextos, grupos de extermínio... o futuro.
28.10.09
26.10.09
muito filme
dizer isso jamais aconteceria é inviável na minha aldeia. dei de cara com r., que mesmo não sendo alguém em especial, sob qualquer perspectiva e circunstância, me surpreendeu; justo na casa da i., que amo de paixão, sob toda perspectiva e circunstância.
lots of brownie, social, e deslocamento - graças a deus, nao meu.
lots of brownie, social, e deslocamento - graças a deus, nao meu.
20.10.09
é isso aí
Não faz muito tempo, o mundo – e o Brasil, em particular –, se escandalizou com as manifestações racistas contra jogadores de futebol que foram hostilizados por torcedores nos estádios europeus apenas porque eram negros. Na Itália e na Espanha, diversos jogadores negros, inclusive brasileiros, foram chamados de “macacos”, “gorilas” e “pretos de merda” por torcidas organizadas dos maiores times daqueles países. As reações foram, felizmente, imediatas. Intelectuais, jornalistas, políticos e autoridades esportivas de todo o planeta botaram a boca no trombone e reduziram, como era de se esperar, gente assim ao nível de delinqüentes comuns.
Ainda há, eventualmente, exaltações racistas nos gramados, mas há um consenso razoavelmente arraigado sobre esse tipo de atitude, tornada, universalmente, inaceitável. Você não irá ver, por exemplo, no Maracanã, torcidas inteiras – homens, mulheres e crianças – gritando “crioulo safado” para o artilheiro Adriano, do Flamengo, por conta de alguma mancada do Imperador. Com a PM circulando, nem racistas emperdenidos se arriscam a tanto. Mas, ai de Adriano, se ele fosse gay.
No sábado passado, espremido no Maracanã ao lado de meu filho mais velho e outras 57 mil pessoas, fui ver um jogaço, Flamengo 2 x 1 São Paulo, de virada, um espetáculo de futebol. Quando o time do São Paulo entrou em campo, as torcidas organizadas do Flamengo, além de milhares de outros torcedores avulsos, entoaram, a todo pulmão: “Veados, veados, veados!”. Daí, o painel eletrônico passou a anunciar, com a ajuda do sistema de autofalantes, a escalação são-paulina, recebida com as tradicionais vaias da torcida da casa, até aí, nada demais. Mas o Maraca veio abaixo quando o nome do volante Richarlyson foi anunciado: “Bicha, bicha, bicha!”. E, em seguida: “Bicharlyson, Bicharlyson!”.
Ao longo da partida, bastava que o são-paulino tocasse na bola para receber uma saraivada de insultos semelhantes. No ápice da histeria homofóbica, a Raça Rubro Negra, maior e mais importante torcida do Rio, e uma das maiores do Brasil, convocou o estádio a entoar uma quadrinha supostamente engraçada. Era assim: “O time do São Paulo/só tem veado/o Dagoberto/come o Richarlyson”. Richarlyson virou alvo da homofobia esportiva brasileira, com indisfarçável conivência de cronistas esportivos, jornalistas e colegas de vestiário, a partir de 2005, quando fez uma espécie de “dança da bundinha” ao comemorar um gol do São Paulo, time que por ser oriundo do elitista bairro do Morumbi acabou estigmatizado como reduto homossexual, ou time dos “bambis”, como resumem as torcidas adversárias.
A imprensa chegou a anunciar o dia em que Richarlyson iria assumir sua homossexualidade, provavelmente numa entrada ao vivo, no programa Fantástico, da TV Globo – o que, diga-se de passagem, nunca aconteceu. Desde então, no entanto, o volante nunca mais teve paz. No Maracanã lotado, qualquer lance que o envolvesse era, imediatamente, louvado por um coro uníssono e ensurdecedor de “veado, veado, veado!”. Homens, mulheres e crianças. O atacante Dagoberto entrou de gaiato nessa história apenas porque, com Richarlyson, forma uma eficiente dupla de ataque no São Paulo. Agora, imaginem se, no Morumbi, a torcida do São Paulo saudasse o atacante Adriano, do Flamengo, aos berros de “macaco, macaco, macaco!”, apenas para ficarmos nas analogias retiradas do mundo animal. Ou, simplesmente, entoasse uma quadrinha do tipo criada para a dupla Dagoberto/Richarlyson, dizendo que no Flamengo só tem crioulo, que Adriano enraba, sei lá, o Petkovic. O mundo iria cair, e com razão, porque chegamos a um estágio civilizatório onde o racismo tornou-se motivo de repulsa, mesmo em suas nuances tão brasileiras, escondidas em piadas de salão e ódios de cor mal disfarçados no elevador social.
Usa-se, no caso dos gays, o mesmo mecanismo perverso que perdurou na sociedade brasileira escravagista e pós-escravagista com o qual foi possível transformar em insulto uma condição humana que deveria, no fim das contas, ser tão somente aceita e respeitada. Assim, torcedores brasileiros chamam de veados os são-paulinos em campo como, não faz muito tempo, nos chamavam, os argentinos, de “macaquitos”, em pleno Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, para revolta da nação. Quando – e se – a lei que criminaliza a homofobia no Brasil, a exemplo do racismo, for aprovada no Congresso Nacional, será preciso educar gerações inteiras de brasileiros a respeitar a sexualidade alheia.
Espero, a tempo de recebermos os atletas que virão às Olimpíadas de 2016, no Rio, provavelmente, no mesmo Maracanã que hoje se compraz em xingar Richarlyson de veado. Por enquanto, a discussão sobre a lei está parada, no Brasil, porque o lobby das bancadas religiosas teme abrir mão de um filão explorado por fanáticos imbuídos da missão de “curar” homossexuais, ou de outros, para quem os gays são uma aberração bíblica passível, portanto, da ira de deus. Nos jornais de domingo, nem uma mísera linha sobre o assunto. Das duas uma: ou é fato banal e corriqueiro, logo, tornado invisível aos olhos das dezenas de repórteres enfiados na tribuna da imprensa do Maracanã; ou é conivência mesmo.
Leandro Fortes
Brasília, eu vi
Carta Capital
Ainda há, eventualmente, exaltações racistas nos gramados, mas há um consenso razoavelmente arraigado sobre esse tipo de atitude, tornada, universalmente, inaceitável. Você não irá ver, por exemplo, no Maracanã, torcidas inteiras – homens, mulheres e crianças – gritando “crioulo safado” para o artilheiro Adriano, do Flamengo, por conta de alguma mancada do Imperador. Com a PM circulando, nem racistas emperdenidos se arriscam a tanto. Mas, ai de Adriano, se ele fosse gay.
No sábado passado, espremido no Maracanã ao lado de meu filho mais velho e outras 57 mil pessoas, fui ver um jogaço, Flamengo 2 x 1 São Paulo, de virada, um espetáculo de futebol. Quando o time do São Paulo entrou em campo, as torcidas organizadas do Flamengo, além de milhares de outros torcedores avulsos, entoaram, a todo pulmão: “Veados, veados, veados!”. Daí, o painel eletrônico passou a anunciar, com a ajuda do sistema de autofalantes, a escalação são-paulina, recebida com as tradicionais vaias da torcida da casa, até aí, nada demais. Mas o Maraca veio abaixo quando o nome do volante Richarlyson foi anunciado: “Bicha, bicha, bicha!”. E, em seguida: “Bicharlyson, Bicharlyson!”.
Ao longo da partida, bastava que o são-paulino tocasse na bola para receber uma saraivada de insultos semelhantes. No ápice da histeria homofóbica, a Raça Rubro Negra, maior e mais importante torcida do Rio, e uma das maiores do Brasil, convocou o estádio a entoar uma quadrinha supostamente engraçada. Era assim: “O time do São Paulo/só tem veado/o Dagoberto/come o Richarlyson”. Richarlyson virou alvo da homofobia esportiva brasileira, com indisfarçável conivência de cronistas esportivos, jornalistas e colegas de vestiário, a partir de 2005, quando fez uma espécie de “dança da bundinha” ao comemorar um gol do São Paulo, time que por ser oriundo do elitista bairro do Morumbi acabou estigmatizado como reduto homossexual, ou time dos “bambis”, como resumem as torcidas adversárias.
A imprensa chegou a anunciar o dia em que Richarlyson iria assumir sua homossexualidade, provavelmente numa entrada ao vivo, no programa Fantástico, da TV Globo – o que, diga-se de passagem, nunca aconteceu. Desde então, no entanto, o volante nunca mais teve paz. No Maracanã lotado, qualquer lance que o envolvesse era, imediatamente, louvado por um coro uníssono e ensurdecedor de “veado, veado, veado!”. Homens, mulheres e crianças. O atacante Dagoberto entrou de gaiato nessa história apenas porque, com Richarlyson, forma uma eficiente dupla de ataque no São Paulo. Agora, imaginem se, no Morumbi, a torcida do São Paulo saudasse o atacante Adriano, do Flamengo, aos berros de “macaco, macaco, macaco!”, apenas para ficarmos nas analogias retiradas do mundo animal. Ou, simplesmente, entoasse uma quadrinha do tipo criada para a dupla Dagoberto/Richarlyson, dizendo que no Flamengo só tem crioulo, que Adriano enraba, sei lá, o Petkovic. O mundo iria cair, e com razão, porque chegamos a um estágio civilizatório onde o racismo tornou-se motivo de repulsa, mesmo em suas nuances tão brasileiras, escondidas em piadas de salão e ódios de cor mal disfarçados no elevador social.
Usa-se, no caso dos gays, o mesmo mecanismo perverso que perdurou na sociedade brasileira escravagista e pós-escravagista com o qual foi possível transformar em insulto uma condição humana que deveria, no fim das contas, ser tão somente aceita e respeitada. Assim, torcedores brasileiros chamam de veados os são-paulinos em campo como, não faz muito tempo, nos chamavam, os argentinos, de “macaquitos”, em pleno Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, para revolta da nação. Quando – e se – a lei que criminaliza a homofobia no Brasil, a exemplo do racismo, for aprovada no Congresso Nacional, será preciso educar gerações inteiras de brasileiros a respeitar a sexualidade alheia.
Espero, a tempo de recebermos os atletas que virão às Olimpíadas de 2016, no Rio, provavelmente, no mesmo Maracanã que hoje se compraz em xingar Richarlyson de veado. Por enquanto, a discussão sobre a lei está parada, no Brasil, porque o lobby das bancadas religiosas teme abrir mão de um filão explorado por fanáticos imbuídos da missão de “curar” homossexuais, ou de outros, para quem os gays são uma aberração bíblica passível, portanto, da ira de deus. Nos jornais de domingo, nem uma mísera linha sobre o assunto. Das duas uma: ou é fato banal e corriqueiro, logo, tornado invisível aos olhos das dezenas de repórteres enfiados na tribuna da imprensa do Maracanã; ou é conivência mesmo.
Leandro Fortes
Brasília, eu vi
Carta Capital
15.10.09
dear sir,
a trufa 70% de cacau da cacau show é doce!
a vendedora disse que era no limite do amargo
daí o doce me chocou
alfajor é uma delícia e não tem no dicionário
encontrei ds, gordo.
ds dá um conto bem longo
gosta de amargura, meninas quadradas, e doces
como trufas e alfajor.
encontrei spts, acanhado feito gato maltratado.
pegou na minha mão e disse
vim só pegar na tua mão e eu disse
ah tá.
ele deu meia volta e se foi, como bom freak
que é.
eu, so rappy.
a vendedora disse que era no limite do amargo
daí o doce me chocou
alfajor é uma delícia e não tem no dicionário
encontrei ds, gordo.
ds dá um conto bem longo
gosta de amargura, meninas quadradas, e doces
como trufas e alfajor.
encontrei spts, acanhado feito gato maltratado.
pegou na minha mão e disse
vim só pegar na tua mão e eu disse
ah tá.
ele deu meia volta e se foi, como bom freak
que é.
eu, so rappy.
13.10.09
e. m. forster
"... viver com equilíbrio. Não comece pelo equilíbrio. Só gente de nariz empinado faz isso. Deixe que o equilíbrio venha como último recurso, quando as melhores coisas falharam, e um beco sem saída..."
"... o senso de proporção... viver de acordo com ele. Não começar com proporção. Só os puritanos, moralistas, é que fazem isso. A proporção deve ser usada como último recurso, quando as melhores coisas fracassaram, e um impasse..."
"--to live by proportion. Don't BEGIN with proportion. Only prigs do that. Let proportion come in as a last resource, when the better things have failed, and a deadlock--"
Howards End
a primeira tradução deste trecho vem dentro de um livro belíssimo, capa com textura em alto-relevo, verde escuro, ilustrando grades e colunas de uma mansão, howards end. a segunda tradução é colhida de uma edição de bolso, básica, ediouro. quanto mais leio forster, mais quero ficar perto dele.
o romance abre com a frase "only connect...", que no livro bonito traduz-se "Ligue, simplesmente...". a edição de bolso: "Junte apenas..."
adoro luta de classes.
"... o senso de proporção... viver de acordo com ele. Não começar com proporção. Só os puritanos, moralistas, é que fazem isso. A proporção deve ser usada como último recurso, quando as melhores coisas fracassaram, e um impasse..."
"--to live by proportion. Don't BEGIN with proportion. Only prigs do that. Let proportion come in as a last resource, when the better things have failed, and a deadlock--"
Howards End
a primeira tradução deste trecho vem dentro de um livro belíssimo, capa com textura em alto-relevo, verde escuro, ilustrando grades e colunas de uma mansão, howards end. a segunda tradução é colhida de uma edição de bolso, básica, ediouro. quanto mais leio forster, mais quero ficar perto dele.
o romance abre com a frase "only connect...", que no livro bonito traduz-se "Ligue, simplesmente...". a edição de bolso: "Junte apenas..."
adoro luta de classes.
não paro de ler esses livros e comer maria-maluca...
11.10.09
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