Joyce in Portrait of the Artist as a Young Man
10.6.11
De repente, mais um Bloomsday se aproxima
"I will try to express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my defence the only arms I allow myself to use - silence, exile, and cunning."
22.5.11
E de repente tudo muda, de uma hora pra outra, como numa ópera de sabão do J. E. Carneiro. E ainda, fugindo de sonhos ruins, acorda-se para dejavus de horror, só que, a vida não é filme. Dá pra roteirizar minimamente, mas tudo pode acontecer independente do esboço que você rabiscou pra enquadrar melhor os dias que morrem tão rápidos e contínuos contigo no meio, meio que alvo, meio que irremediavelmente coadjuvante, mesmo sendo você capaz de se enxergar de maneira diferente, se colocando no centro das coisas como faz o Whitman na poesia. O problema é que em poucos segundos de reflexão séria, não se escapa de constatar a própria pequenez, vulnerabilidade, fragilidade, irrelevância, etc. É um baque. Mas depois disso se tira uma força maior pra continuar fluindo more aware da própria capacidade. Uma megalomania bonita como a de Whitman realmente tem um efeito de iluminação, encanto e tudo, mas o depois, o reverso é meio que desolador, devastador, passo derradeiro no cadafalso.
I'm just the same but brand new.
11.5.11
de novo apareceu e se movia"
K. Kávafis
Cabei de ver esses versos do K. na ótima revista de literatura traduzida n.t.
Download.
26.4.11
Começou hoje o seminário sobre os ensaios de Antonio Candido com o prof. Joaquim Alves de Aguiar - um cara de 58 anos e muito interessante. Durante a sua fala, ele basicamente apresentou o Candido, seguindo os preceitos do crítico mineiro, para quem a crítica deve ser acessível ao grande público e não poser, empolada, como a de um Luis Costa Lima. A ideia de Candido de que a literatura brasileira não é suficiente pra formar um leitor culto me fez parar um pouco e pensar: realmente. Razões para isso são:
- é uma literatura muito recente (séc. XIX). Nesse ponto, ele comentou: como produzir um Rimbaud no Brasil?
- Descende de uma literatura europeia menor: a portuguesa.
- nossos melhores resultados até o momento pertencem a um período específico: entre décadas de 1930-60. (eu esticaria até 70).
Joaquim (Juca) disse que está num momento de sua vida em que doa livros acumulados, que já não fazem mais sentido ler (como Lacan) pois ele precisa aproveitar bem o tempo que lhe resta. Ele falou em crepúsculo e brincou com os presentes, chamando-nos de ignorantes por não sabermos exatamente o que era um caderno de linguagem. Pensaram que fosse o caderno de caligrafia dos paulistas, daí ele disse: "Nãaao, seus ignorantes. Não é da época de vocês então." Meio Latorraca. Meio Blanche Dubois na melancolia da relembrança de um tempo somente dele.
7.4.11
a palavra é "teaser"
Esse é o trecho de um curta dirigido pelo lindo James Franco. Trata-se de uma adaptação do poema The Feast of Stephen. Fiquei sabendo hoje que Franco vai lecionar a adaptação fílmica de poesia na universidade de NY... eu não esqueço dele em milk.
5.4.11
porra, que lindos
Mais fotografias de Patti Smith e Robert Mapplethorpe: http://www.featureinc.com/exhibs-2011/2011-03-04_linn/2011-03-04_linn-exhib.html
4.4.11
3.4.11
30.3.11
somewhere
um lugar qualquer (somewhere), filme de sofia coppola, é parecido com encontros e desencontros (lost in translation): imagens paradas, como fotografias de vazios; personagens "perdidos" que, no final, sinalizam uma possibilidade de encontro consigo, mas aí o filme acaba e se o final é feliz ninguém sabe. trilha excelente. eu gosto. gostei muito do filme. trilha e imagens combinam tanto. um exemplo é quando pai e filha tomam sol à beira da piscina de um hotel. take longo ao som de i'll try once do strokes. é lindíssimo.
antes da sessão, no dragão, pombos e rolinhas pareciam a procura de ninho. just like me. e também como os personagens de sofia. e se o final é feliz ninguém sabe.
28.3.11
cântaros para sair de casa - gentephobia - nunca fui de dividir guarda-chuva, nem de roubar um, nem de me enganar com um - gentephobia, chá verde serve pra tudo - minha paciência é santa que olha pro céu e diz puta que pariu - por uma questão logística, não concordo com a oração de são sebastião: se eu cuido pouco e ruim do meu próprio bem, o dos outros então - gente me dá vontade de tomar chá e correr pra longe como a gata corre do gambá
26.3.11
Margaret Schlegel
“Of course I have everything to learn – absolutely everything – just as much as Helen. Life’s very difficult and full of surprises. At any event, I’ve got as far as that. To be humble and kind, to go straight ahead, to love people rather than pity them, to remember the submerged – well, one can’t do all these things at once, worse luck, because they’re so contradictory. It’s then that proportion comes in – to live by proportion. Don’t Begin with proportion. Only prigs do that. Let proportion come in as a last resource, when the better things have failed, and a deadlock – Gracious me, I’ve started preaching!”
Howards End
Howards End
19.3.11
25.2.11
heart block - cloudy rainy weather listening to gorillaz plastic beach and it's great, on jellyfish track i think i heard "don't waste your time on the net"; sometimes you know the thing but you need to hear the thing from out of your head - good fuck and sleep are the key to something i don't dare to name right now.
19.2.11
A Great Unrecorded History
Ler biografias é interessante, a narrativa parece sempre acabar de forma abrupta. Por mais que o livro seja um calhamaço de 400, 500 páginas. E por mais que seja descrita pontuando apenas o que é relevante. Ontem cheguei à ultima página de A Great Unrecorded History, biografia divertida e concentrada na vida sexual de Edward Morgan Forster, autor de Howards End, Passagem para a Índia, Maurice, etc. Colm Tóibin diz que Moffat, a autora desta biografia, recriou uma vida muito mais interessante do que na realidade foi. Como ele pode saber? O que quer que ele conteste ou acredite saber será tão "fictício" quanto a versão de Moffat.
Um fato intrigante colocado no fim do livro é que Morgan determinou em testamento de que tudo aquilo que ele escreveu a mão não fosse digitalizado, ou copiado por qualquer tipo de máquina. Daí que cadernos, diários, cartas, dentre outros manuscritos, estão espalhados por universidades nos dois lados do Atlântico. Os pesquisadores precisam se deslocar até o Texas, Califórnia, Connecticut (Beinecke Library - maior biblioteca de manuscritos e livros raros do mundo) e Londres caso queiram copiar (também à mão) o que precisam. O curioso é que a vontade do artista prevaleceu à demandas acadêmicas e do mercado editorial. Claro que contrariar o desejo de Kafka, por exemplo, de destruir seus manuscritos após a sua morte são outros quinhentos... mas mesmo assim...
Recomendo a leitura dessa biografia, está disponível na livraria cultura, e ainda não foi traduzida no Brasil.
Um fato intrigante colocado no fim do livro é que Morgan determinou em testamento de que tudo aquilo que ele escreveu a mão não fosse digitalizado, ou copiado por qualquer tipo de máquina. Daí que cadernos, diários, cartas, dentre outros manuscritos, estão espalhados por universidades nos dois lados do Atlântico. Os pesquisadores precisam se deslocar até o Texas, Califórnia, Connecticut (Beinecke Library - maior biblioteca de manuscritos e livros raros do mundo) e Londres caso queiram copiar (também à mão) o que precisam. O curioso é que a vontade do artista prevaleceu à demandas acadêmicas e do mercado editorial. Claro que contrariar o desejo de Kafka, por exemplo, de destruir seus manuscritos após a sua morte são outros quinhentos... mas mesmo assim...
Recomendo a leitura dessa biografia, está disponível na livraria cultura, e ainda não foi traduzida no Brasil.
17.2.11
Joe Ackerley era um dos amigos mais próximos do Morgan (E. M. Forster), 17 anos mais jovem, muito bonito, rico e da pá virada. Na biografia de Forster, escrita por Wendy Moffat, A Great Unrecorded History, Joe aparece como sex machine, tipo, se algo (um cara) se mexesse ele voava em cima. A preferência era por guardas, policiais, e até ladrões - ele se fazia na boca do lixo.
No entanto, acabei de ver que não era bem assim. Um artigo da NYorker mostra que o grande amor da vida de Joe foi uma cadela, Queenie, uma pastor alemão com quem ele viveu 15 anos. Ao lado dela, a vida social dele foi esfriando. Joe escreveu um único romance, We Think The World of You (1960), que, apesar de apresentar personagens gays - até 1967 ser gay era crime na Inglaterra, o enredo gira em torno da cadela Evie. O artigo fala que Joe era do tipo que não engatava relacionamento com ninguém e os pegas dele ficavam só na punheta camarada. Ele tinha nojo do resto. O que levou o biógrafo mais reconhecido de Morgan (P. S. Furbank) a afirmar que Joe era hétero e não sabia. A relação bizarra dele com Queenie seria um indício. Joe descrevia em minúncias coisas tipo: a delicadeza de Queenie fazendo número 2, como ela lembrava um tripé estrategiacamente postada para não se sujar na própria caca; e quando Queenie entrava no cio, sua vulva era massageada por Joe até ele receber jorros do líquido quente dela nas mãos. Ele chegava a detalhar sobre o que fazia com o dedo na safadinha... Queenie era hiper ciumenta, não suportava ver ninguém perto de Joe, e ele um completo freak: ele também gostava de observar a transformação de Queenie no bicho que de fato era, por exemplo, quando ela caçava coelhos. Joe esmiuçava até mesmo isso em seu diário: a beleza assassina, predadora de Queenie, ao estalar o crânio de coelhos entre os dentes.
Joe encarava esse tipo de descrição naturalmente, assim como ele fazia com tudo na vida. Morgan (na biografia) o aconselhava bastante, geralmente em relação ao jeito folgado do amigo, que podia ser confundido com abuso: "Menos Joe, menos..." Segundo o artigo, tanto no romance quanto em suas outras obras, três livros de memórias - um deles à Queenie, My Dog Tulip (1956) - Joe problematiza justamente isso: o que pode ser dito? O que implica mostrar aquilo que não se menciona, por convenção?
No entanto, acabei de ver que não era bem assim. Um artigo da NYorker mostra que o grande amor da vida de Joe foi uma cadela, Queenie, uma pastor alemão com quem ele viveu 15 anos. Ao lado dela, a vida social dele foi esfriando. Joe escreveu um único romance, We Think The World of You (1960), que, apesar de apresentar personagens gays - até 1967 ser gay era crime na Inglaterra, o enredo gira em torno da cadela Evie. O artigo fala que Joe era do tipo que não engatava relacionamento com ninguém e os pegas dele ficavam só na punheta camarada. Ele tinha nojo do resto. O que levou o biógrafo mais reconhecido de Morgan (P. S. Furbank) a afirmar que Joe era hétero e não sabia. A relação bizarra dele com Queenie seria um indício. Joe descrevia em minúncias coisas tipo: a delicadeza de Queenie fazendo número 2, como ela lembrava um tripé estrategiacamente postada para não se sujar na própria caca; e quando Queenie entrava no cio, sua vulva era massageada por Joe até ele receber jorros do líquido quente dela nas mãos. Ele chegava a detalhar sobre o que fazia com o dedo na safadinha... Queenie era hiper ciumenta, não suportava ver ninguém perto de Joe, e ele um completo freak: ele também gostava de observar a transformação de Queenie no bicho que de fato era, por exemplo, quando ela caçava coelhos. Joe esmiuçava até mesmo isso em seu diário: a beleza assassina, predadora de Queenie, ao estalar o crânio de coelhos entre os dentes.
Joe encarava esse tipo de descrição naturalmente, assim como ele fazia com tudo na vida. Morgan (na biografia) o aconselhava bastante, geralmente em relação ao jeito folgado do amigo, que podia ser confundido com abuso: "Menos Joe, menos..." Segundo o artigo, tanto no romance quanto em suas outras obras, três livros de memórias - um deles à Queenie, My Dog Tulip (1956) - Joe problematiza justamente isso: o que pode ser dito? O que implica mostrar aquilo que não se menciona, por convenção?
11.2.11
tired of beauty
satisfied with physical exaustion
puzzled by my being a friend
i like constructions like this:
puzzled by my being a friend
or
i appreciate your sucking
and
i'll wash the blood from my hands and get out of here so kiss me goodbye 'coz i really have to get my ass off
people go south
with books of mine which were not a gift of mine
were just my lending them (yeah that construction)
some other time i like to think of them people with my books
i even like to think of my books taken away, lost forever, maybe already recycled in news paper
well
i like the syntagma FUCK OFF
and that makes me remember the missing of my reading (yeah yeah again) of hornby
satisfied with physical exaustion
puzzled by my being a friend
i like constructions like this:
puzzled by my being a friend
or
i appreciate your sucking
and
i'll wash the blood from my hands and get out of here so kiss me goodbye 'coz i really have to get my ass off
people go south
with books of mine which were not a gift of mine
were just my lending them (yeah that construction)
some other time i like to think of them people with my books
i even like to think of my books taken away, lost forever, maybe already recycled in news paper
well
i like the syntagma FUCK OFF
and that makes me remember the missing of my reading (yeah yeah again) of hornby
tentei traduzir esse poema "pensamentos perigosos" mas tá ruim de ficar bom
Dangerous thoughts
Said Myrtias (a Syrian student
in Alexandria during the reign
of the Emperor Konstans and the Emperor Konstantios;
in part a heathen, in part chistianized):
“Strengthened by study and reflection.
I won’t fear my passions like a coward;
I’ll give my body to sensual pleasures,
to enjoyments I’ve dreamed of,
to the most audacious erotic desires,
to the lascivious impulses of my blood,
with no fear at all, because when I wish—
and I’ll have the will-power, strengthened
as I shall be by study and reflection—
when I wish, at critical moments I will recover
my spirit, ascetic as it was before.”
Cavafy
Dangerous thoughts
Said Myrtias (a Syrian student
in Alexandria during the reign
of the Emperor Konstans and the Emperor Konstantios;
in part a heathen, in part chistianized):
“Strengthened by study and reflection.
I won’t fear my passions like a coward;
I’ll give my body to sensual pleasures,
to enjoyments I’ve dreamed of,
to the most audacious erotic desires,
to the lascivious impulses of my blood,
with no fear at all, because when I wish—
and I’ll have the will-power, strengthened
as I shall be by study and reflection—
when I wish, at critical moments I will recover
my spirit, ascetic as it was before.”
Cavafy
tradução pro inglês: 1992, Edmund Keeley and Philip Sherrard
2.2.11
Lendo a biografia de E. M. Forster, A Great Unrecorded History. Está sendo uma aula sobre queer art na primeira metade do século passado. Forster fazia boas amizades através de seus ensaios, que despertavam a empatia principalmente de artistas iniciantes. Eles geralmente identificavam entrelinhas que passavam batidas pelo público leitor em geral. É o caso de Paul Cadmus, pintor e desenhista americano.
Esse é um dos trabalhos mais famosos dele, The Flett's Inn, de 1934. A tela teve de ser removida da galeria em que foi exibida na época. A representação do casal gay incomodou o público.
Essa outra, Jerry (1931) teve como modelo Jerry
French, amante de Paul. Jerry era casado com Margaret Hoening, também artista plástica. Formavam um menage a trois famoso. O que deixava Forster intrigado, ele que tinha o povo do Bloomsburry como referência, só que estes eram muito discretos em comparação com o trio novaiorquino. Parece que os três realmente funcionavam como um trio, iam pra cama juntos e tal. Essa pintura comemorava o Bloomsday, e também era bem subversiva pois ilustra o livro de Joyce, que na época estava proibido de circular. Era um livro maldito.
Cadmus produziu bastante e o trabalho dele é fantástico. Esse aqui é Arabesque, que tem várias versões tanto em gravura quanto pintura. Para Forster, tanto o trabalho quanto o estilo de vida dos amigos americanos o atraía por serem descomplicados, bem-humorados, sem medo. A condenação de Oscar Wilde o traumatizou. Talvez por isso os ensaios dele sejam repletos de mensagens subliminares, com as quais os artistas mais novos se identificavam: "Tolerance, good temper, and sympathy are no longer enough in a world which is rent by religious and racial persecution, in a world were ignorance rules..." e por aí vai num dos ensaios mais famosos dele, What I Believe.
Essa outra, Jerry (1931) teve como modelo Jerry
French, amante de Paul. Jerry era casado com Margaret Hoening, também artista plástica. Formavam um menage a trois famoso. O que deixava Forster intrigado, ele que tinha o povo do Bloomsburry como referência, só que estes eram muito discretos em comparação com o trio novaiorquino. Parece que os três realmente funcionavam como um trio, iam pra cama juntos e tal. Essa pintura comemorava o Bloomsday, e também era bem subversiva pois ilustra o livro de Joyce, que na época estava proibido de circular. Era um livro maldito.
Cadmus produziu bastante e o trabalho dele é fantástico. Esse aqui é Arabesque, que tem várias versões tanto em gravura quanto pintura. Para Forster, tanto o trabalho quanto o estilo de vida dos amigos americanos o atraía por serem descomplicados, bem-humorados, sem medo. A condenação de Oscar Wilde o traumatizou. Talvez por isso os ensaios dele sejam repletos de mensagens subliminares, com as quais os artistas mais novos se identificavam: "Tolerance, good temper, and sympathy are no longer enough in a world which is rent by religious and racial persecution, in a world were ignorance rules..." e por aí vai num dos ensaios mais famosos dele, What I Believe.
29.1.11
Vi uma cena no Chico Xavier da globo que me fez pensar em alugar o dvd quando sair. Ele tem um piti super pintoso no avião no meio de uma turbulência. Daí uma entidade abusada e bonita diz pra ele dar exemplo e aproveitar a ocasião pra mostrar sua fé. Chico diz histéric@mente "mas eu vou morrer como todo mundo!" A entidade sexy diz: "pois pelo menos morra educadamente."
***
Sou curioso e já cheguei a sair de casa pra ver O Império do Besteirol Contra-Ataca (faz muito tempo). Noto que pouca coisa mudou em termos de opções cinematográficas em Fortaleza depois dos multiplex e do fechamento dos cinemas do centro nos 1990's. Tipo, em 12 salas num shopping center distribuem 4 filmes, sendo 3 direcionados pra pivetada. O espaço unibanco é fraco e mal conduzido. Mas eu só queria dizer que não gostei do A Rede Social e quase todo mundo com quem eu falo é da mesma opinião. Menos os críticos especializados. Talvez seja um problema de leigo, que não entende bem sobre técnica, montagem, etc. Sylvia Colombro porém concorda comigo. Filme bom que vi foi Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (You will meet a tall dark stranger). Também não sou expert em Woodie mas gosto dele. O meu predileto dele é Manhattam. Depois que vi o último, disse pra um amigo: ele usa sem medo recursos super batidos da narração, aquela que engancha imprevisibilidades pra prender o ouvinte.
***
A rua augusta em sampa agora no jg. Comprei ótimos filmes piratas ali. Coisa fina. Fellinni, Tarkovski...
***
Vi Taniko a primeira das dionisíacas do Celso Martinez no TJA. Chovia, e o trajeto até o teatro me deu mais prazer do que o espetáculo.
***
Bob's dead.
***
Sou curioso e já cheguei a sair de casa pra ver O Império do Besteirol Contra-Ataca (faz muito tempo). Noto que pouca coisa mudou em termos de opções cinematográficas em Fortaleza depois dos multiplex e do fechamento dos cinemas do centro nos 1990's. Tipo, em 12 salas num shopping center distribuem 4 filmes, sendo 3 direcionados pra pivetada. O espaço unibanco é fraco e mal conduzido. Mas eu só queria dizer que não gostei do A Rede Social e quase todo mundo com quem eu falo é da mesma opinião. Menos os críticos especializados. Talvez seja um problema de leigo, que não entende bem sobre técnica, montagem, etc. Sylvia Colombro porém concorda comigo. Filme bom que vi foi Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (You will meet a tall dark stranger). Também não sou expert em Woodie mas gosto dele. O meu predileto dele é Manhattam. Depois que vi o último, disse pra um amigo: ele usa sem medo recursos super batidos da narração, aquela que engancha imprevisibilidades pra prender o ouvinte.
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A rua augusta em sampa agora no jg. Comprei ótimos filmes piratas ali. Coisa fina. Fellinni, Tarkovski...
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Vi Taniko a primeira das dionisíacas do Celso Martinez no TJA. Chovia, e o trajeto até o teatro me deu mais prazer do que o espetáculo.
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Bob's dead.
20.1.11
Sarah Kane
Lembro da cara espantada de uma vendedora quando eu perguntei se havia algum volume de Adoro Morrer, um livro de contos que comprei faz muito tempo. Lembro que a vendedora disse muito timidamente "Deus me livre, eu adoro é viver." Ontem eu pensava sobre o "fascínio" que tem essa coisa toda do suicídio. Pelo menos para algumas pessoas, o assunto desperta no mínimo um recolhimento rápido, uma parada pra pensar (e pesar), por mais que num primeiro momento o suicídio pareça algo que escape ao entendimento. Por mais que comunique apenas uma sensação ligeira, como quando você não encontra a palavra certa e a pessoa na tua frente diz "tudo bem, eu sei, eu entendo". A sensação que causa o suicídio é como essa frase "eu sei". Não representa o fato (a pessoa não sabe exatamente), mas sente um resquício de entendimento, e com isso acredita ter adivinhado o que o outro não conseguia expressar. Bem, nem eu entendi muito bem o que eu disse, mas a idéia do suicídio causa essa parada, essa imprecisão mesclada com espanto e admiração. Quem se mata parece exercer um tipo de soberania existencial que somente quem é gente é capaz de exercer.
Digo isso também porque ontem comecei a escrever um poeminha para o vira-lata ancião aqui de casa, que tem sofrido muito com mazelas da degeneração física. Ninguém sabe ao certo a idade dele, Bob, mas acreditamos que está chegando na casa dos vinte. Eu quis dizer no poema que o Bob, pela natureza hedonista dele, provavelmente pularia de um prédio ou se afogaria caso não fosse apenas um cão. Óbvio, essa idéia tem mais viagem do que fundamento, afinal é um poema pra um blog que tem, se muito, um leitor ou dois: o traças.
Certa vez, quando eu conversava com uma amiga sobre fazer um trabalho envolvendo poetas suicidas, Plath e Ana C., acabamos descobrindo a dramaturga Sarah Kane. Ela se matou no banheiro de um hospital psiquiátrico com os cadarços do sapato em 1999. Li agora mesmo um trecho de Phaedra's Love, uma espécie de releitura de um mito antigo escrita por ela. Eurípedes também o utilizou na sua tragédia Hipólito. Outros autores, como Sêneca e Racine, também produziram textos tendo por base essa história mítica, sobre uma mulher apaixonada pelo enteado (Hipólito), e que acaba encontrando no suicídio a solução para os seus males. Encontrei o trecho de Phaedra's Love no artigo *Phaedra's Love de Sarah Kane: Tradução, Adaptação, Encenação da professora Tania Alice Feix. O artigo discorre também sobre a experiência da montagem da peça pela Companhia de Teatro Partículas Elementares da Universidade Federal de Outro Preto.
Na versão de Kane, Hipólito é o personagem central, como sugere o título. Destaco aqui duas falas dele que ilustram um pouco a vibe da peça. Phaedra, apaixonada pelo rapaz, consegue fazer um boquete nele. Logo em seguida o enteado diz: "Pronto. Acabou o mistério. Agora que você me teve, vá trepar com outro." Imaginando uma filiação tosca no campo da ficção, esse Hipólito seria filho do narrador de First Love de Samuel Beckett! Quando Hipólito recebe a visita de um padre, que procura convencê-lo a negar o estupro da madrasta (Phaedra é estuprada!) para que assim fosse perdoado, ele convence o padre a também lhe fazer uma felação e em seguida joga na cara do padre: "Eu sei o que eu sou. E o que sempre serei. Mas você peca sabendo que vai confessar. Depois é perdoado. E começa tudo de novo. Como você se atreve a sacanear um Deus tão poderoso? A não ser que realmente não acredite nele." Isso é muito Beckett, claro, só que na década de 90. Na verdade, a indiferença, a desilução, o cinismo fazem entrever semelhanças com o bom e velho Sam. Vou procurar as peças da Sara. Por enquanto, é possível experimentar um pouco do que essa mulher interessante "pensou" para os palcos em adaptações para a TV que foram parar no youtube.
* O artigo compõe o livro Tradução, Vanguardas e Modernismos. Vários autores. 2009. Editora Paz e Terra.
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