pensava que ter coração fraco, "subdesenvolvido", "maudlin", fosse defeito desses de se trancafiar e desconversar. soube agora que não é para beauvoir e forster (tou lendo howards end).
so rappy!
11.10.09
29.9.09
14.9.09
queria ganhar milhões de dinheiro, ficar super rico. do dia pra noite ter ao meu alcance tudo o que dinheiro compre: um ap pequeno, na praia. um carro. e viajar viajar meses, anos, até abusar. fazer curso de escritor no mesmo lugar que a yiyun li fez. fazer teatro. perambular pelo norte da áfrica, mediterrâneo, alexandria. escrever livros! de viagem. queria tudo isso pra, além de me dar bem, me experimentar. ver como me saio com a boca lambendo o anzol. testar minha cuca.
muita gente pira com dinheiro instantâneo... meu lado black: além de timbalada e olodum, fui vidrado no fugees, e depois na lauryn hill solo. adorava. lembro de rebobinar mudança de hábito 2 doentiamente pra ver a capela dela voz e piano. o tempo não pára, a mulher desapareceu do mapa da música. pesquisas no google indicam que ela pirou. entrou numa de ter filhos com o filho do bob marley. ela não vive com ele, que continua muito bem com a esposa oficial. lauryn mora com os filhos num hotel e segue rigidamente o que diz um pastor evangélico, estilo jim jones. mas, ela talvez esteja em paz, apesar de totalmente mad.
lembrei de lauryn porque estou ouvindo speech debelle, uma rapper inglesa. ouvi que ela fazia um som hip hop anti-hip hop, meio lounge. nem sei a diferença entre rap e hip hop. o fato é que o som dela é bom, tão diferente que parece pessoal, dela. pelo menos pra mim que não conheço. tem letra boa. o disco se chama speech therapy, que fala por si: exorcismos, carne viva, transformados em verso autêntico. pergunta recorrente que me fazem: qual teu tipo de música predileto? passei a dizer: música feita por gente boa, ponto. mas sempre descamba pra um complicado estudo de casos, pois acrescentam: tipo quem? tipo caetano, adriana, the jesus & mary chain, marnie stern, pato fu, cat power, nneka, roisin murphy, paralamas, feist, morrissey, amy (ela é uma merda; back to black é incrível). até kylie minogue é competente.
speech debelle queria ser uma espécie de tracy chapman mc. e realmente é bem isso. speech, que você não pire!
muita gente pira com dinheiro instantâneo... meu lado black: além de timbalada e olodum, fui vidrado no fugees, e depois na lauryn hill solo. adorava. lembro de rebobinar mudança de hábito 2 doentiamente pra ver a capela dela voz e piano. o tempo não pára, a mulher desapareceu do mapa da música. pesquisas no google indicam que ela pirou. entrou numa de ter filhos com o filho do bob marley. ela não vive com ele, que continua muito bem com a esposa oficial. lauryn mora com os filhos num hotel e segue rigidamente o que diz um pastor evangélico, estilo jim jones. mas, ela talvez esteja em paz, apesar de totalmente mad.
lembrei de lauryn porque estou ouvindo speech debelle, uma rapper inglesa. ouvi que ela fazia um som hip hop anti-hip hop, meio lounge. nem sei a diferença entre rap e hip hop. o fato é que o som dela é bom, tão diferente que parece pessoal, dela. pelo menos pra mim que não conheço. tem letra boa. o disco se chama speech therapy, que fala por si: exorcismos, carne viva, transformados em verso autêntico. pergunta recorrente que me fazem: qual teu tipo de música predileto? passei a dizer: música feita por gente boa, ponto. mas sempre descamba pra um complicado estudo de casos, pois acrescentam: tipo quem? tipo caetano, adriana, the jesus & mary chain, marnie stern, pato fu, cat power, nneka, roisin murphy, paralamas, feist, morrissey, amy (ela é uma merda; back to black é incrível). até kylie minogue é competente.
speech debelle queria ser uma espécie de tracy chapman mc. e realmente é bem isso. speech, que você não pire!
12.9.09
Me admirei com a coragem de uma recém-conhecida contar um de seus sonhos recorrentes durante viagem. Ela toda me excitou. Sequer lembro do nome dela agora. Ela estava com Flush nas mãos e mostrou entusiasmo com a Mrs. Brown de As Horas, filme. Eu eu eu, mais uma vez, precisei ter algo extraordinário escapulindo entre os dedos: recusei almoçar com ela e o marido. Muito mais para me mostrar comedido. Mil e um cálculos num segundo.
Por falar em sonhos, tive noite com bichos peçonhentos gigantes e gosmentos. Depois presenciei uma missa com meninos e meninas vestindo hábitos marrons, cantando e rezando exaustivamente por horas. Me entusiasmava ver aquela determinação. Em seguida, todos passaram a dançar e andar de patins num pátio enorme.
Ontem ouvi frase calmante de Herman Hesse no programa repórter eco. Não lembro exatamente, mas aponta para o olhar para dentro de si como caminho a se explorar ao invés de chafurdar o lado de fora de si. Vai aqui uma outra, copiada e colada, que talvez nem seja dele, mas simples e reparadora para quem tem péssima memória, como eu: "Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." (Demian)
Já esqueci do que li em Demian.
Por falar em sonhos, tive noite com bichos peçonhentos gigantes e gosmentos. Depois presenciei uma missa com meninos e meninas vestindo hábitos marrons, cantando e rezando exaustivamente por horas. Me entusiasmava ver aquela determinação. Em seguida, todos passaram a dançar e andar de patins num pátio enorme.
Ontem ouvi frase calmante de Herman Hesse no programa repórter eco. Não lembro exatamente, mas aponta para o olhar para dentro de si como caminho a se explorar ao invés de chafurdar o lado de fora de si. Vai aqui uma outra, copiada e colada, que talvez nem seja dele, mas simples e reparadora para quem tem péssima memória, como eu: "Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." (Demian)
Já esqueci do que li em Demian.
1.9.09
caçar em vão
Ás vezes escreve-se a cavalo.
Arrebentando com toda a carga.
Saltando obstáculos ou não.
Atropelando tudo, passando por cima sem puxar o freio - a galope - no susto, disparado
sobre as pedras, fora da margem feito só de patas, sem cabeça
Nem tempo de ler no pensamento o que corre ou o que empaca:
Sem ter calma e o cálculo de quem colhe e cata feijão.
Armando Freitas Filho
Arrebentando com toda a carga.
Saltando obstáculos ou não.
Atropelando tudo, passando por cima sem puxar o freio - a galope - no susto, disparado
sobre as pedras, fora da margem feito só de patas, sem cabeça
Nem tempo de ler no pensamento o que corre ou o que empaca:
Sem ter calma e o cálculo de quem colhe e cata feijão.
Armando Freitas Filho
13.8.09
tanta literatura vejo que brotou a partir de algo a ver com dentes: white teeth, zadie smith; the tooth, shirley jackson; dentes guardados, daniel galera, que pôs hilda hilst na epígrafe: Dentes guardados. Não acabam nunca se guardados. Na boca apodrecem.
em white teeth de zadie, a questão do dente tem a ver com a descoberta do mundo. a sensação de ter sido alvo de trapaça, quando descobrimos omissões, segredos, o esconde-esconde da vida adulta, como dentaduras postiças. the tooth, a questão é bem foda: dor física que sobrepõe dores de alma, e para alívio de ambas há o experimento de, a partir de barbitúricos, recriar outra ordem, confusa, difícil, mas necessária para encarar a ordem anterior no olho, motivo de incômodo insuportável, e resolver a questão.
meus cisos superiores tem mais três semanas comigo.
em white teeth de zadie, a questão do dente tem a ver com a descoberta do mundo. a sensação de ter sido alvo de trapaça, quando descobrimos omissões, segredos, o esconde-esconde da vida adulta, como dentaduras postiças. the tooth, a questão é bem foda: dor física que sobrepõe dores de alma, e para alívio de ambas há o experimento de, a partir de barbitúricos, recriar outra ordem, confusa, difícil, mas necessária para encarar a ordem anterior no olho, motivo de incômodo insuportável, e resolver a questão.
meus cisos superiores tem mais três semanas comigo.
10.8.09
listening to i'm every woman, chaka khan.
lendo relendo word by word um conto de jamaica kincaid, sonho, projeção, fato: there's no way back home. depois conto.
a poeira dos livros limpo com uma regata velha que nunca foi minha. depois lavo bem a velha camiseta e não sei, me apego a ela. pondero como nunca.
lendo relendo word by word um conto de jamaica kincaid, sonho, projeção, fato: there's no way back home. depois conto.
a poeira dos livros limpo com uma regata velha que nunca foi minha. depois lavo bem a velha camiseta e não sei, me apego a ela. pondero como nunca.
8.8.09
CORDEL DE FOGO na praça do ferreira. Sabe quando acontece da gente jogar basquete e não errar uma cesta, quando você digita uma linha sem intenção e vem um texto completo... Lirinha cantou que ia chover, e assim aconteceu de céu fechar e respingar em pleno agosto enquanto ele fazia cara de eu sou o cara. O povo no limite da catarse com cara de besta. Uma moça apontou pra cima e quis saber de mim o que era aquilo. Eu gritei, ela gritou também, e todo mundo perto só gritava e o que na verdade nos banhava era uma luz azul intensa.
6.8.09
4.8.09
ontem vi o numero 7, gosto dele, pintado na porta do quarto, altura dos olhos, vermelho. vermelho fiquei, acho que me viram olhando o numero. é que gostei do formato, da cor, da simpatia do chagas, do piso antigo estilizado também vermelho, formas concentricas escuras tipo paus do baralho.
se pelo menos eu reagisse menos espectador e mais objeto de arte, sensorial, se pelo menos eu não precisasse ter escrito nem pensando nisso, dormiria melhor.
28.7.09
lanhouse é foda, sempre alguém de olho na tela alheia. Na minha (pronto, o curioso acaba de me deixar em paz). Apenas uma mesa no almoço da rita parecia receptiva e lá eu fui. Oi, você se importa, perguntei. À vontade, ele disse. Passou à perguntinhas clichê introdutórias. E eu, sim, trabalho aqui perto, exatamente, sim conheço ele de vista, não, trabalho aqui 3 dias e volto pra casa.
Cara bonito, apesar do verde vidro das lentes de contato. Outfit brega. Um Márcio. Pediu bisteca de porco. Pedi suco de acerola. Invasão H1N1 truando, não falam de outra coisa. Máscaras por todo canto. Todos histéricos, mais histéricos do que eu. Aquela sensação de estar numa adaptação de Guerra dos mundos e Plano 9 invasão da terra em Nova Jerusalém.
Mas voltando ao cara das lentes, não ando pra bistecas, sei lá, tou só pra prosa. Por isso me despedi dele, Márcio, numa esquina após caminhada por ruas de poeira, meio-dia pleno. Precisava de sabonete. Entrei num boteco, desses de balcão, mercadorias em prateleiras pelas paredes, senhor fumando por trás do balcão imerso na dele. Fumei também depois de dias sem.
Primeiro beijo, nome da fragância do sabonete, que cheira maçã verde. Bisteca de porco e maçã verde, não.
Cara bonito, apesar do verde vidro das lentes de contato. Outfit brega. Um Márcio. Pediu bisteca de porco. Pedi suco de acerola. Invasão H1N1 truando, não falam de outra coisa. Máscaras por todo canto. Todos histéricos, mais histéricos do que eu. Aquela sensação de estar numa adaptação de Guerra dos mundos e Plano 9 invasão da terra em Nova Jerusalém.
Mas voltando ao cara das lentes, não ando pra bistecas, sei lá, tou só pra prosa. Por isso me despedi dele, Márcio, numa esquina após caminhada por ruas de poeira, meio-dia pleno. Precisava de sabonete. Entrei num boteco, desses de balcão, mercadorias em prateleiras pelas paredes, senhor fumando por trás do balcão imerso na dele. Fumei também depois de dias sem.
Primeiro beijo, nome da fragância do sabonete, que cheira maçã verde. Bisteca de porco e maçã verde, não.
23.7.09
esboço de novela
1997. Aula de literatura brasileira. Mesma cadeira no fundão, mesma mistura de cheiros, gentes, mesma cadência de vozes, dejavu profundo. Até a mancha de sangue permanece no centro da sala de cerâmica antiga, porosa. Sobre o braço da carteira, os rabiscos primatas dos mesmíssimos idiotas que me atazanaram por quase todo o ano passado: Ana Palerma, Ana Sapatão, Ana Baitola, Ana P. Uma horda de maníacos-mirins que me escolheram pra Judas, Geni. Trocaram, porém, de professor. Lui não estava lá.
25.6.09
25/6/2009
Michael morto. Fairy tale terminado. Triste, triste, mas necessário para o fairy tale existir. Não dá pra usar conto de fada. Acaba com o que quero dizer.
Curiosa a entrevista com Annie Proulx, possessiva: ela diz que Jack e Ennis, personagens de Brokeback, pertencem a ela por lei. Fica irritada quando recebe cartas sugerindo enredos alternativos para os personagens. Curiosa porque geralmente os escritores demonstram mais tranquilidade em relação a suas criaturas/criações. Se bem que posso estar enganado. Saramago, Eco, existem muitos como Proulx.
Jack, de A. M. Holmes, não deixou sair da rede hoje.
baba é bom
Bem, não combina muito comigo entrar na onda anti-emo. Dor de cotovelo é uma forma de auto-conhecimento. É bonito quem se permite. Gosto de letras de amor doloridas, coração partido, vaidade escorrendo pro bueiro. Faz um tempo que escuto My Maudlin Career, do Camera Obscura. Lindo. Descobri agora que a dona da voz que canta situações belas e angustiantes tem nome cearense, a escocesa Tracyanne.
23.6.09
guinness
Ontem e hoje em Quixadá tenho vivido algumas quebras de recorde.
O pior chocolate do mundo: marca bel. Horroroso. Pensei que fosse de fora, tipo Guiana, mas é de São Paulo.
A pior cueca do mundo: sem marca, óbvio. Saída de emergência porque não trouxe nenhuma além da que veio no corpo. Dois reais.
O pior docinho de caju do mundo: sem marca. Fibroso, sem gosto, seco arrg. Pra tirar o gosto ruim da boca comprei um serenata. Dentro do bombom veio a seguinte mensagem: Boca seca, taquicardia e tremedeira configuram o que chamamos de amor à primeira vista... blábláblá... é bom pra caramba. Bom pra quem? Essa fase é ruim pra caramba, quase nunca coincide de dois se encontrarem com a mesma vontade. E sempre acontece de um maneirar, segurar, gelar quando vê o outro babando. A mensagem termina: ... sempre que não souber o que fazer em relação a uma mulher, mande flores. Concordo com uma mensagem que li sobre um video do youtube: que mundo emocore jeca! Os anos 90 dão saudade.
O pior chocolate do mundo: marca bel. Horroroso. Pensei que fosse de fora, tipo Guiana, mas é de São Paulo.
A pior cueca do mundo: sem marca, óbvio. Saída de emergência porque não trouxe nenhuma além da que veio no corpo. Dois reais.
O pior docinho de caju do mundo: sem marca. Fibroso, sem gosto, seco arrg. Pra tirar o gosto ruim da boca comprei um serenata. Dentro do bombom veio a seguinte mensagem: Boca seca, taquicardia e tremedeira configuram o que chamamos de amor à primeira vista... blábláblá... é bom pra caramba. Bom pra quem? Essa fase é ruim pra caramba, quase nunca coincide de dois se encontrarem com a mesma vontade. E sempre acontece de um maneirar, segurar, gelar quando vê o outro babando. A mensagem termina: ... sempre que não souber o que fazer em relação a uma mulher, mande flores. Concordo com uma mensagem que li sobre um video do youtube: que mundo emocore jeca! Os anos 90 dão saudade.
21.6.09
zulivre
Um convite num envelopinho azul com seu nome escrito no verso. Nome escrito errado, borrado e escrito certo em seguida. Convite entregue com o borrão. Descuido, mensagem na entrelinha, ou economia (da matéria-prima... do planeta, do tempo da pessoa), não importa o motivo para o borrado, ele quer dizer alguma coisa. A partir de hoje, desaconselho a qualquer um atender a convites borrados. De qualquer jeito, chá de baby é coisa pra quem tem, teve, ou terá baby. No futuro do pretérito é tudo tão óbvio.
Muito melhor ouvir pato fu. Uns mergulhos no mar. Perceber a euforia-alívio-indignação de funcionários de supermercado no fim do expediente de domingo. Conversar com a Cellis, ou qualquer pessoa verde/madura livre do pior tipo de medo, o de si.
Muito melhor ouvir pato fu. Uns mergulhos no mar. Perceber a euforia-alívio-indignação de funcionários de supermercado no fim do expediente de domingo. Conversar com a Cellis, ou qualquer pessoa verde/madura livre do pior tipo de medo, o de si.
20.6.09
escrita
Gostaria de encontrar uma esferográfica definitiva, perfeita. Estou experimentando trilux, faber. Tinta tão clara que se torna incolor no meio da página. A compactor borra com o tempo, pelo menos comigo. Nunca mais usei bic. É comum algum vendedor, caixa, ou recepcionista ter uma bic cristal ou similar com escrita macia que desliza perfeita, tinta azul-escuro impressionante, vivo, como eu gosto, estrutura exterior combalida, mas no todo um verdadeiro sonho. Nunca dão de brinde nem fazem vista grossa caso eu tente me apossar num lapso-reflexo verdadeiro. Falando nisso, as melhores que usei ultimamente são dessas de merchandising, zolper fashion... etc.
18.6.09
A arte de andar de bicicleta
Aula de leitura em prosa inglesa. Abri com Shirley Jackson, The Witch; After You, My Dear Alphonse; e Charles. As horas de um dia inteiro gastas com prazer para elaborar o todo da aula. Resultado: como hoje em dia ninguém mais se detém nesse tipo de brincadeira, mesmo que se entregue os pontos e mostre o detalhe que salva um determinado texto do ordinário, nada brotou da leitura -discussão, aprofundamento, pensamento, inquietação, dúvida, ou incômodo - que serviu apenas para exercício de compreensão. Para variar vibrei sozinho.
Fiquei em outro quarto do hotel essa semana. Maior e pior que o anterior por causa do mofo numa parede. Dentro dele dormi apenas duas noites, ouvindo Chan Marshal. O mesmo quarto que o casal em lua de mel dormiu duas semanas atrás. Dormi na mesma cama de casal que eles dormiram - miseravelmente sozinho, morrisseymente - e só pensei nesse detalhe no instante em que entrei e vi a cama. Depois disso apenas dormi, acordei e fui direto trabalhar.
Percebi nessa semana um aviso dentro do ônibus de ida pra Quixadá com os nomes do motorista e da mulher que serve de assistente. Não sei definir a função dela. Ela vende comida e bebida e cobra passagens de quem sobe no meio do caminho. E informa que estamos num ônibus classe executiva, com menos paradas pelo meio do caminho, e portanto com trajeto mais rápido. Passagem mais cara. Ele se chama Pordeus Carlos. O nome dela esqueci mesmo, mas é desses feitos com dois outros nomes. Cleajane? Janiclea? Esqueci.
Tenho tido sorte de falar com mulheres desconhecidas. Sarah, Jane, Regilídia. Respectivas dentista, esposa de militar, e dançarina. Me sinto como se aprendendo a andar de bicicleta.
Fiquei em outro quarto do hotel essa semana. Maior e pior que o anterior por causa do mofo numa parede. Dentro dele dormi apenas duas noites, ouvindo Chan Marshal. O mesmo quarto que o casal em lua de mel dormiu duas semanas atrás. Dormi na mesma cama de casal que eles dormiram - miseravelmente sozinho, morrisseymente - e só pensei nesse detalhe no instante em que entrei e vi a cama. Depois disso apenas dormi, acordei e fui direto trabalhar.
Percebi nessa semana um aviso dentro do ônibus de ida pra Quixadá com os nomes do motorista e da mulher que serve de assistente. Não sei definir a função dela. Ela vende comida e bebida e cobra passagens de quem sobe no meio do caminho. E informa que estamos num ônibus classe executiva, com menos paradas pelo meio do caminho, e portanto com trajeto mais rápido. Passagem mais cara. Ele se chama Pordeus Carlos. O nome dela esqueci mesmo, mas é desses feitos com dois outros nomes. Cleajane? Janiclea? Esqueci.
Tenho tido sorte de falar com mulheres desconhecidas. Sarah, Jane, Regilídia. Respectivas dentista, esposa de militar, e dançarina. Me sinto como se aprendendo a andar de bicicleta.
3.6.09
5 minutos
Quixadá é aqui. Familiar e estranho. Medina cearense, como todas as outras. Barulho barulho.
Quando entrei no quarto do hotel, ri de surpresa. Pequeno, cama velha de madeira pintada de branco, uma cadeira vermelha de ferro dessas de bar. Um ventilador sem tela. O trinco da porta removível. Um buraco no teto de gesso tapado com sacola de supermercado. Uma janela com um posto de gasolina logo em baixo. Um corredor muito longo com duas aberturas para a construção de mais quartos não concluídos, mas que dá para ver um monólito gigante ao fundo. Um jovem casal gay em lua de mel no quarto ao lado. Ouvi um grito na primeira noite. Alegria, dor, as duas coisas?
O cara da recepção se chama Chagas. Peguei ele duas vezes de surpresa bem extrovertido, molecando com um mecânico, que deve trabalhar no posto. Ao me ver Chagas se fecha.
Quando entrei no quarto do hotel, ri de surpresa. Pequeno, cama velha de madeira pintada de branco, uma cadeira vermelha de ferro dessas de bar. Um ventilador sem tela. O trinco da porta removível. Um buraco no teto de gesso tapado com sacola de supermercado. Uma janela com um posto de gasolina logo em baixo. Um corredor muito longo com duas aberturas para a construção de mais quartos não concluídos, mas que dá para ver um monólito gigante ao fundo. Um jovem casal gay em lua de mel no quarto ao lado. Ouvi um grito na primeira noite. Alegria, dor, as duas coisas?
O cara da recepção se chama Chagas. Peguei ele duas vezes de surpresa bem extrovertido, molecando com um mecânico, que deve trabalhar no posto. Ao me ver Chagas se fecha.
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